Sexta-Feira, 20 de Julho de 2018 - 12:56 (Polícia)

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TRIBUNAL DO CRIME: CHEFES DO PCC ACOMPANHAM EM TEMPO REAL ASSASSINATOS PELO PAÍS

"Picotar é o de praxe, meu mano, se caso der. Se não der, só arranca a cabeça ali, tá tranquilo." O caso aconteceu em Campo Grande.


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A ordem acima foi emitida no dia 7 de outubro de 2017 durante uma conferência por celular na qual participaram chefes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Eles decidiam na ocasião o destino de um integrante da organização rival, Comando Vermelho, capturado em Campo Grande (MS).

Interceptada durante as investigações da Operação Echelon, a conferência mostra o funcionamento de um "tribunal do crime" no qual inimigos do PCC acabam torturados e sentenciados à morte por líderes da facção, que acompanham os assassinatos em tempo real.

Na denúncia do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) constam diversos flagrantes das "sessões de julgamento" do PCC realizadas por todo o país. Há casos relatados também no Ceará, Roraima, Amapá e Mato Grosso, por exemplo.

Do outro lado da linha, os chefes da facção comandam as ações, apesar de alguns deles estarem detidos em presídios com bloqueadores de celulares, como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo.

TORTURA PRECEDE ASSASSINATO

Os alvos preferenciais dos julgamentos descritos na denúncia da Operação Echelon são membros do Comando Vermelho.

Desde o segundo semestre de 2016, as duas maiores facções criminosas entraram em guerra pelo domínio das principais rotas de tráfico de drogas e armas e da massa carcerária do país.

Os chefes do PCC ordenam que os adversários sejam torturados nos interrogatórios. Após matá-los, os "soldados" do PCC devem enviar-lhes fotos e vídeos dos corpos, de preferência com as cabeças arrancadas.

O "sentenciado" no caso descrito no começo desta reportagem chamava-se Rudnei da Silva Rocha, 22, conhecido como Babidi. Ele foi torturado durante duas horas para que passasse informações sobre seus comparsas.

"Ou você oculta e deixa eles vivos e você morre, ou você abre o coração, sai vivo, e nois vai arregaça todos eles (sic)", disse um membro do PCC.

Policiais encontraram o corpo de Babidi, na noite seguinte, em um matagal na região oeste da capital sul-mato-grossense. Enrolado em um colchão, o cadáver apresentava marcas de tortura e estava decapitado.

Fonte: Anderson Nascimento, com informações UOL

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