Quinta-Feira, 25 de Janeiro de 2018 - 09:06 (Artigos)

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SUICÍDIO DE PASTORES E LÍDERES - POR RHAFAELA FARIAS SOARES

Refletir a respeito do suicídio não é algo fácil, incomoda, confronta, entristece e um mar de questionamentos tendem a surgir.


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Você já ouviu falar de algum pastor que tenha cometido suicídio? Pois bem, essa é uma realidade de nossos dias, infelizmente o número de suicídios entre pastores, líderes e filhos de líderes tem sido crescente.

Refletir a respeito do suicídio não é algo fácil, incomoda, confronta, entristece e um mar de questionamentos tendem a surgir: “Como?”, “Porque?”, “O que estava acontecendo?”, ou afirmações contundentes se manifestam: “Isso é atitude de gente covarde”, “Muito egoísmo, não pensa nos outros”, “Falta de Deus!”, “Só gente fraca faz isso”.

Por si só o tema suicídio levanta diversos questionamentos, mas esse universo de pensamentos e questionamentos tende a ampliar-se quando o sujeito em questão é um líder religioso. Como alguém na função de cuidador de repente perde por entre os dedos a capacidade de administrar suas próprias emoções? Como chega-se ao ponto de tomar tal atitude? O que leva alguém que já ajudou a tantos desistir de sua própria vida? Existem motivos para tanto? E quais seriam estes motivos?

De acordo com o Instituto Schaeffer, “70% dos pastores lutam constantemente contra a depressão, 71% se dizem esgotados, 80% acreditam que o ministério pastoral afetou negativamente suas famílias e 70% dizem não ter um amigo próximo”.

Entre as causas mais comuns para o suicídio entre pastores e líderes, a depressão associada ao esgotamento físico e emocional se destaca, esse esgotamento também conhecido como síndrome de burnout ou síndrome do esgotamento profissional atinge pessoas em qualquer contexto laboral, mas sua prevalência é maior em profissionais da área assistencial ou de serviço, tendo em vista que estes indivíduos mantêm um contato mais direto e prolongado com outros seres humanos.

O surgimento da depressão bem como a síndrome de burnout se configuram como resposta à uma cobrança vivenciada hoje pelos líderes, principalmente no que diz respeito a resultados. Com a contemporaneidade percebe-se hoje uma crise de identidade funcional entre o chamado pastoral e as exigências do mercado religioso institucional.

É perceptível que grande parte dos pastores e líderes se encontram cansados, desanimados, sem assistência adequada em suas funções e muitas vezes vivenciando relações conflituosas com a igreja e com a liderança. Além de dificuldades enfrentadas no que diz respeito ao cuidado com a família e finanças pessoais.

Quando questionada sobre livros que pudesse auxiliar nessas demandas, a psicóloga Fátima Fontes, respondeu: “Nesses momentos, não precisamos de livros, precisamos de amigos”. Ed René Kivitz diz: “pessoas precisam de Deus, mas pessoas também precisam de pessoas”.

Em meio a todo este contexto o alerta que nos fica é que a humanidade limitada e finita de pastores e líderes precisa ser percebida, e que são necessárias atitudes de enfrentamento quanto à essa realidade, objetivando uma melhora na qualidade de vida daqueles que tem papel colaborativo na qualidade de vida de toda uma comunidade.

Aos líderes sugerimos que façam aquilo que lhes dá alegria e prazer: assistir filmes, pescar, caminhar, viajar; não importa, apenas não abram mão do seu tempo de descanso e lazer. E quando perceber que as coisas não caminham bem, não hesite em buscar ajuda especializada. Permita-se ser homem, antes de ser líder.

Rhafaela Farias Soares
Pós graduanda em Aconselhamento e Psicologia Pastoral.

Fonte: 012 - Rhafaela Farias

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