Terça-Feira, 26 de Dezembro de 2017 - 10:39 (Colaboradores)

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RAVERIVOLULYMEBTE - Por Max Diniz Cruzeiro

Nossa bolha de suspensão sabia com mais de 99,9999% de precisão no fornecimento de informações vitais essenciais para o desenvolvimento da vida.


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Realismo Fantástico do Terceiro Milênio

Um pequeno meteorito trazia dentro de si uma minúscula semente. Levamos o material para o módulo de seleção artificial e fizemos uma radiografia de sua estrutura no qual foi possível combinar o seu mapa genético em uma de nossas estruturas de dados. Quando fizemos o cruzamento das informações, após várias simulações na bolha de suspensão descobrimos que a semente deveria ser fixada em uma base de calcário, nitrogênio e potássio, e que seu processo de germinação se dava com o borrifamento de 100 mg de água líquida numa temperatura de 28 graus uma vez por dia durante um estágio de 15 dias ininterruptos.

Nossa bolha de suspensão sabia com mais de 99,9999% de precisão no fornecimento de informações vitais essenciais para o desenvolvimento da vida. Ela calculava uma infinidade de simulações onde o germe teria contato com uma infinidade de materiais aos quais o projeto puro de desenvolvimento do ser seria completamente conhecido sem a necessidade de induzir o material para sua fase larval.

Era um sistema muito eficiente para plantas, animais e seres microscópicos, com base no mapa genético era possível decodificar com extrema exatidão em que iria ser gerado o ser que possuía uma identidade germinativa. E os riscos que poderiam ocasionar para outros seres e a preservação do habitat de nosso sistema solar.

Quando apresentamos para a academia de conhecimento que o novo espécime poderia ser induzido sem representar riscos para nossa atmosfera, o achado foi comemorado por todo o planisfério de nossa civilização. Nossos cálculos apontaram que o espécime havia surgido do sistema sollaris na periferia da via láctea e havia demorado aproximadamente 100 milhões de anos luz até o ponto de encontro com nossa estação orbital.

Temos um equipamento de datação de microrradição, como um sistema métrico eficiente que permite determinar gradações em que diferenciais de temperatura aplicam uma força de mutação sobre a superfície de quaisquer objetos, e desta forma é possível estabelecer a procedência ou trajeto de qualquer orbe que se desloque no universo, com uma precisão de 99,999%.

Não sabíamos que a complexidade da vida estava tão avançada em sollaris, o espécime se desenvolveu conforme nossos parâmetros de estudo e evoluiu para uma árvore de porte mediano. Suas folhas eram bem verdes e o brotamento foi possível visualizar fascículos que geraram flores e destas saiu um tímido fruto globular esverdeado que sofreu o efeito do amadurecimento chegando finalmente a cor avermelhada.

Era comestível, e bastante suculento, novas sementes eram encontradas em seu interior. Mas tarde com contato dos seres atuais que habitavam um pequeno planeta azul era conhecida como macieira.

Já tínhamos conhecimento dos agrupamentos hominídeos em quase todo o universo. Porém, nosso interesse era seletivo, no sentido de estudar apenas os agrupamentos que observássemos um enorme potencial de interação.

O deslocamento da minha espécie em seus módulos de transporte era praticamente instantâneo para qualquer parte do universo. Curiosos quanto a natureza evolutiva que cercava estes oásis no universo organizamos um grupo de estudo para emergir nas sociedades do terceiro ecossistema de Sollaris.

Montamos uma discreta unidade de observação em uma cidade introduzindo nossos corporeonautas através do nascimento nos mesmos moldes que todos os habitantes deste agrupamento.

Situamos equipamentos em órbita para a aferição de informações internas, de forma que tínhamos uma enorme camada e máscara de dados que podíamos utilizar quando fosse necessário para que as informações pudessem ser catalogadas.

No primeiro momento nossas necessidades de reprodução e contato íntimo com outros indivíduos era restrito à concepção de nosso experimento. Nosso interesse estava em verdadeiramente medir o potencial civilizatório para um intercâmbio futuro.

Nossa alegria foi imensa quando encontramos as macieiras plantadas em seu bioma natural. A tecnologia do planeta era primitiva, sua datação muito simples, era medida pelas voltas do planeta em torno do sol. E a contagem era muito pequena, apenas um total de 1980 voltas completas.

Viemos em datas distintas, nossos melhores cientistas se prepararam, nasceram, desenvolveram estudando as habilidades de sua estrutura corpórea, se encontraram na fase adulta e constituíram núcleos familiares nas principais regiões agrícolas e próximo de grandes cidades.

Das famílias destes novos colonos do conhecimento já tinham o conhecimento base para vir a segunda geração de cientistas na forma de filhos produzidos pela frutificação da estrutura vital desta civilização.

Nós sempre tivemos o conhecimento interno além das impressões externas dos habitantes, achávamos engraçado seu sistema de disputa, seu sistema de canalização de recursos, e um desenfreado posicionamento social quase sempre explicado por uma ilusão de escassez de recursos.

Escolhemos alguns espécimes mais resistentes e criativos e transferimos um primitivo modelo de transformação eletrônica para nossos padrões, mas que poderia ser facilmente incorporado na forma de benefícios para toda a civilização deste planeta ao qual era conhecido pelos próprios habitantes como planeta Terra.

Entregamos em seu cérebro o conhecimento suficiente em que era preciso para escutar e traduzir a mente humana. E atraímos por meio da curiosidade tais cientistas para uma audição não autorizada sobre nossas atividades, até que eles percebessem que o seu grau de evolução era devido o avanço que a nossa tecnologia lhes tinha proporcionado por intermédio das ondas mentais que transferimos diretamente para seus cérebros.

Apresentamos para estes cientistas humanos nossas atividades via onda de pensamento e cuidamos para que uma extensa diplomacia pudesse nos cercar sem que um trauma da passagem, de uma vida completamente centrada na vida isolada no universo, para uma vida pulsante lá fora.

A família padrão de nossos cientistas foi domiciliada em Brasília. Escolhemos na rua uma família natural e começamos a analisar seus pensamentos. Colocamos nossas crianças para interagirem com as crianças de mesma idade, coletamos seus conflitos, suas aflições, suas aspirações, tentamos nos integrar até que o meio militar ao qual tínhamos contato por intermédio de equipagem cerebral de seu planeta demonstrou uma extrema preocupação de nossa ocupação e exigiu que nós retirássemos todos os cientistas do planeta.

Pedimos materiais biológicos para que pudéssemos encaminhar para nosso sistema solar. Assinamos protocolos de intensões onde nos comprometíamos a não desencadear um sistema de hostilidades no terceiro ecossistema do sistema estelar Sollaris.

Montamos em marte uma estação espacial compartilhada, e estabelecemos uma ponte aérea onde o nosso pessoal pudesse ser deslocado sobre a supervisão humana.

O medo era grande, da mesma forma que compartilhamos nossa tecnologia de escuta de pensamentos, começamos a remover silenciosamente da memória informações de pessoas que tinham um alto grau de periculosidade, promovendo um esquecimento sistemático e voluntário sobre nossas atividades.

A maioria em Marte resolveu voltar para casa e foram substituídos por novos nascimentos nos núcleos familiares de nossos cientistas naqueles orbes. Alguns poucos ficaram no planeta terra anônimos cuidando da segurança dos remanescentes.

E a história continua, porém não somos órfãos, ...

Fonte: 010 - Max Diniz Cruzeiro/NewsRondonia

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