Terça-Feira, 22 de Maio de 2018 - 14:59 (Agronegocios)

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QUALIDADE DO CAFÉ ROBUSTA PRODUZIDO EM RONDÔNIA É DEBATIDO COM ESPECIALISTAS DURANTE SEMINÁRIO EM PORTO VELHO

Foi para parte deste público que Eduardo Carvalhaes palestrou sobre a evolução e sustentabilidade do café na Amazônia e ressaltou a busca permanente pela qualidade do café robusta.


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“Rondônia está no caminho certo. Produzir café com sustentabilidade, sem interferir com a floresta amazônica, isso é muito bom”, destacou Eduardo Carvalhaes Júnior, presidente da Câmara Setorial de Café de São Paulo, durante o Seminário Internacional de Robustas Finos, realizado no Palácio Rio Madeira, em Porto Velho.

O seminário faz parte da Jornada dos Robustas Amazônicos: Qualidade, Sustentabilidade e Equidade no campo, realizado pela Embrapa e pelo Governo de Rondônia, por meio da Superintendência Estadual de Desenvolvimento Econômico e Infraestrutura (Sedi), com o objetivo de discutir temáticas de interesse de pessoas que fazem parte da cadeia produtiva do café.

Foi para parte deste público que Eduardo Carvalhaes palestrou sobre a evolução e sustentabilidade do café na Amazônia e ressaltou a busca permanente pela qualidade do café robusta. “Por trás da sustentabilidade temos que mostrar um produto muito bom, um café de ponta. É essa imagem que temos que aliar ao restante da produção local. Agregar valor aos lotes para a imagem de qualidade que se pretende levar adiante”, orientou. “Mas não podemos esquecer que não é milagre, precisamos lembrar que antes não se produzia café de qualidade com robustas. Há uma conquista de mercado a ser feita, precisa insistir em pesquisa, produtividade e manter a qualidade para chegar à altura dos outros”, salientou.

Até pouco tempo, o café robusta era visto como um café que não apresentava características de se tornar um café especial. É graças a pesquisas e investimentos na área que essa crença vem sendo desconstruída. Enrique Alves, pesquisador da Embrapa, comemora o momento e afirma que eventos como o Seminário servem para coroar o trabalho que vem sendo feito em prol da cafeicultura do Estado. “Na última década nos dedicamos a trabalhar questões da qualidade do café robusta. A ideia que se tinha era que dificilmente se alcançaria uma bebida 100% robusta”, lembra. “E hoje temos o contrário, estamos mostrando que ele é excelente sozinho. O próximo passo é ir em busca de novos nichos de mercado”.

E é exatamente em busca de novos nichos de mercado que o empresário Bruno Assis, proprietário de uma cafeteria em Porto Velho se posicionou. Ele aposta no café robusta desde o ano de 2015 e comercializa cafés de safras premiadas nacionalmente, de produtores de Rondônia. “Antes se falava que o robusta não tinha requisitos para ser um café de qualidade. Agora mostramos que conseguimos levar para o público, um café robusta selecionado, de alta qualidade, e considerado especial.  Em minha loja temos cafés de 80 a 87,5 pontos”, afirmou. “E eventos como este trazem segurança, porque reúne atores interessados no segmento café, indica que estamos no caminho correto”, reforça.

Cafés considerados especiais são os avaliados com nota superior a 80 pontos pela Specialty Coffee Associoation.

Mas ainda há lições de casa para cumprir em relação à temática do café robusta, garante Josiana Bernardes, consultora em Cafés Especiais pela IDCofferlab e a principal delas é divulgação: “Rondônia está começando se posicionar quanto ao robusta, no mercado em geral. É verdade que é uma partida frente a vários competidores em nível mundial, mas o robusta está despontando. É pioneiro, e por isso não tem como comparar”, salientou. “Como ele ainda é tabu no segmento café especializado, o caminho é educação, formação continuada e informação sobre o tema, apresentando e sempre reforçando é um produto de alta qualidade”, complementou.


Sunalini Menon, especialista indiana e embaixadora do café na Ásia

E investir na qualidade do café foi a orientação do governador Daniel Pereira, durante a abertura do Seminário. “A produtividade do café em Rondônia chama a atenção do mundo, mas o valor do produto final depende da qualidade e é nisto que o Estado deve investir”, ressaltou. O governador parafraseou lembrando que todos, inclusive os indígenas estão interessados em produzir café, a exemplo da etnia Suruí, cuja liderança recentemente pediu mudas para o plantio em suas terras.

Wilson Nakodah Suruí, cacique da aldeia Suruí, foi quem fez a solicitação ao governador e explica a motivação: “antes não tínhamos conhecimento suficiente sobre o café, mas já produzíamos. Agora sabemos que dá para vender e dar melhor condição financeira para meu povo”, disse. A aldeia Suruí fica na região de Cacoal, local de moradia de aproximadamente 1500 indígenas.

Com tanta informação sobre o café robusta fino, a mensagem final que fica é que é um produto que precisa da atenção de todos os envolvidos, apesar de representar mais um item que agregará positivamente na economia regional.  Eduardo Carvalhaes lembrou, durante sua explanação que na produção de café somos bons da ‘porteira para dentro’, mas precisamos evoluir no sentido de agregar valor ao produto final. “Ainda precisamos agregar valor para a produção neste segmento, por meio de pesquisa. É um longo caminho, mas é o único, porque investir na qualidade do café é muito importante”, desfechou.

JORNADA DOS ROBUSTAS

A Jornada dos Robustas Amazônicos: Qualidade, Sustentabilidade e Equidade no campo está sendo realizada em Rondônia, de 21 a 25 e consiste numa série de ações de interesse de atores que fazem parte da cadeia produtiva de café no Estado, desde a produção a comercialização, passando pela qualidade, armazenamento, gestão pública e equidade de gênero no campo. Participam do evento, especialistas de renome, com experiência nacional e internacional, que colaboram para aprimorar o trabalho que vem sendo desenvolvido em prol da cafeicultura de Rondônia.

PALESTRANTES:

Eduardo Carvalhaes Júnior, presidente da Câmara Setorial de Café de São Paulo, fundador e primeiro presidente do Museu do Café, na histórica Bolsa Oficial do Café.

Josiana Bernardes, atua com treinamento e Consultoria em Cafés Especiais pela IDCoffee (Madri, Espanha). Possui participação em projetos de qualidade em cafés na Índia, Burundi, Honduras, Panamá e Etiópia.

Paulo Cesar Correa, é professor da Universidade Federal de Viçosa, desde 1976. Atua na área de Engenharia de Processamento de Produtos Agrícolas: propriedades físicas, qualidade, secagem, armazenagem e transporte.

Sunalini Menon, especialista indiana e embaixadora do café na Ásia. Tem reconhecimento internacional e, no campo da degustação de café, segmento que atua há mais de 40 anos.

Arthur Fiorott, mestre em marketing, R Grader, diretor de Safra Agronegócios e responsável por projetos de melhoria da qualidade do café conilon.

Fonte: 010 - SECOM - GOV/RO

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