Quarta-Feira, 27 de Junho de 2018 - 11:29 (Colaboradores)

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O PAU ESTÁ QUEBRANDO NO MDB - POR CARLOS HENRIQUE ANGELO

Dizem que em razão da rejeição de Confúcio a Maurão. Mas a verdade está no fundo partidário de R$ 10 milhões.


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É claro que, por enquanto, tudo não passa de fuxico. Mas anda pesado o clima no MDB de Rondônia, por conta da disposição de Confúcio Mora de não apoiar a candidatura de Maurão de Carvalho ao governo do estado. O ex-governador está certamente pensando na continuidade do modelo que construiu nos quase oito anos no comando do Executivo. Mas não deixa de se preocupar com o próprio partido, já que as perspectivas de vitória do anunciado candidato emedebista são iguais a zero.

Acontece que Maurão se anuncia disposto a tocar a campanha com recursos próprios, o que representa uma folga muito bem vinda para o caixa do partido, que administra, a comando de Valdir Raupp, os R$ 10 milhões do fundo partidário. Os candidatos a deputados federais e estatuais da legenda aplaudem de pé. Ainda que saibam que muito pouco haverá de lhes caber da partilha é mais uma porta que se abre.

Mas o presidente da Assembleia, que não é necessariamente besta, está em permanente campanha para enquadrar Confúcio Moura, inclusive com a ameaça de negar, com o aval do comando partidário, o registro da candidatura do ex-governador ao Senado, empurrando-o para a disputa de uma cadeira na Câmara Federal. Falar, contudo, é muito fácil, mas vale lembrar, aproveitando o clima de copa do mundo, que é preciso "combinar com os russos". No caso, o time de candidatos à Câmara.

E não é apenas aí que a coisa pega. O MDB precisa de votos. Isso Confúcio tem de sobra, mas insiste em emplacar a candidatura do ex-secretário de Finanças, Wagner Garcia de Freitas ao governo. Porque isso? Porque sabe que Maurão não tem a menor chance e Wagner seria a noiva ideal para o casamento, como vice, na chapa do governador Daniel Pereira, não por acaso atacado diariamente por jornalistas ligados a Raupp.

Confúcio faz, de qualquer forma, a leitura correta do momento político. Pode não ter nada a ver os resultados das eleições suplementares realizadas no Rio de Janeiro, onde a REDE elegeu o médico Dr. Adriano em Cabo Frio e o PV conseguiu a vitória em Rio das Ostras com Marcelino da Farmácia. Ambos os prefeitos afastados são do MDB. Mas pode ser um forte indicativo do humor do eleitorado.

Pode isso, deputado?

Acho que não, pois a lei proíbe antecipação de campanha eleitoral. Isso, contudo, parece pouco importar ao candidato a governador pelo MDB, deputado Maurão de Carvalho. Ele "convidou" os ocupantes de cargos de direção na Assembleia (não é pouca gente) para uma reunião no auditório do partido na última quarta-feira.

No encontro foram distribuídas coordenações e atribuições diversas para cada um na campanha. Que a imprensa nada tenha comentado é até admissível, pois os tempos são bicudos e é bom não arriscar. Mas os adversários e a justiça eleitoral também ficaram curiosamente calados. Da mesma forma que se calaram os servidores coercitivamente "convidados".

Nada existe que os impeça, contudo, de sair dali e dar uma solene banana para o candidato.

Marcação cerrada

Alguém se lembra do que diziam assessores de Raupp sobre uma hipotética fragilidade das finanças estaduais deixada por Confúcio Moura ao sair do governo? Escrevi que a notícia era falsa e que, apesar dos efeitos nefastos da greve dos caminhoneiros, o equilíbrio das contas estaduais é uma realidade.

A melhor resposta ficou, no entanto, por conta do governador Daniel Pereira, que já anunciou a antecipação da primeira parcela do 13º salário dos servidores e todo o cronograma de pagamentos até dezembro. Como disse, não é por aí que Raupp vai conseguir reverter a folgada vantagem dos índices de Confúcio.

Só por curiosidade

A ex-presidente da República, a divertida Dilma Rousseff, se anuncia candidata ao Senado por Minas Gerais e parece estar muito bem nas pesquisas. Tudo estaria bem se ela não tivesse sido condenada à perda do mandato por decisão colegiada da Câmara e do Senado, o que a remete naturalmente para a condição de ficha suja.

Mas o ministro Lewamdowsky armou com Renan Calheiros uma espécie de alforria compensatória para livrá-la ilegalmente da cassação dos direitos políticos por oito anos. E agora? O que diz o TSE? Vai registrar a candidatura?

Fonte: Carlos Henrique Angelo - NewsRO

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