Terça-Feira, 26 de Dezembro de 2017 - 19:24 (Colaboradores)

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EFEITO MANADA - Por Max Diniz Cruzeiro

O elemento formador do comportamento de alguma forma é catalogado pelo continente psíquico do coletivo, que passa como uma posição bussolar a representar o estímulo percebido em um de seus integrantes do agrupamento.


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O efeito manada é um comportamento induzido de correspondência grupal onde todos são influenciados por um efeito motivacional de um elemento do grupo que passa a ser copiado e imitado em seu aspecto de correspondência, apresentando um aspecto de fenômeno singular para um aspecto de fenômeno modal em que o grupo se firma como uma unidade de expressão do comportamento.

O elemento formador do comportamento de alguma forma é catalogado pelo continente psíquico do coletivo, que passa como uma posição bussolar a representar o estímulo percebido em um de seus integrantes do agrupamento.

O continente psíquico do elemento formador do conteúdo é migrado através do conhecimento derivado das representações do senso comum, onde a sequência é observada dentro do setting ambiental.

Como abelhas operárias que seguem o comando da rainha, os demais elementos do grupo seguem os impulsos dando origem a sequências similares de atividade motora e/ou mental no desencadeamento do comportamento que imita o ator principal no ambiente.

Quanto mais próximo o comportamento exigido para correspondência for do regime de urgência, da relação de demanda ambiental, mais célere é a observação de um comportamento de manada dentro de uma agrupamento.

Imaginem a cena em que um indivíduo que esteja dentro de um estádio lotado, e em um dado momento alguém solta um fogo de artifício que causa um grande estrondo.

Na situação hipotética, o susto pelo barulho repentino, fazem as pessoas mais próximas correrem do local, que inadvertidamente começam a gritar que existe um franco atirador nas arquibancadas.

Os demais instantaneamente se apavoraram, e mesmo sem perceberem pessoas feridas por tiro associam os gritos a uma cena de terrorismo e o efeito coletivo começa a se propagar até que todo o estádio comece a se deslocar em direção aos portões para sair daquele ressinto.

As pessoas mais distantes começam a crer de verdade que estão sendo alvejadas, os empurrões que por sua vez provocam ferimentos nos mais afoitos, remetem a impressão de que os tiros passam a acertar vítimas que estão mais próximas da saída, e a consequência natural é o afunilamento de uma enorme concentração de pessoas na portaria onde algumas pessoas são esmagadas no portão, outras caem e se tornam pisoteadas, algumas perdem os sentidos, e outras em prantos finalmente conseguem sair do estádio e se posicionam sobre a grama a espera de as autoridades enviem policiais para controlar o tumulto.

Outro exemplo de comportamento que também desperta o efeito manada é quando um indivíduo está isolado em uma festa dançando sem parar em um movimento frenético sem se importar o que as outras pessoas vão pensar e intuir sobre seu comportamento desordenado.

Nos momentos seguintes uma comoção faz com que um dos presentes passe a desejar fazer quórum junto com o dançarino solitário. Em seguida outro indivíduo se levanta e freneticamente começa a dançar.

E à medida que mais e mais pessoas observam outros indivíduos que foram dançar da mesma forma que o primeiro, logo todo o grupo se mostra apto para a dança e todo o salão está cheio de pessoas a dançarem compulsivamente sem se importar o que os outros vão dizer do seu comportamento.

Talvez a chave para despertar o sentimento de consumo, pelo comportamento de um indivíduo em sua fase de representação, seja um desejar estar em seu lugar que o faz conectar com o prazer ou pavor exercido pelo elemento principal no seu modo de agir.

Esse anotherself que permite a um indivíduo experimentar mesmo que em fração de segundos de forma temporária, uma degustação daquilo que é vivenciado por outro, que o faz tecer uma vontade enorme de também representar por realçar uma lei de sobrevivência ou uma satisfação de uma vontade em trilhar a sensação dentro de sua psique.

Porém, o efeito manada pode ser deslocado em sentido positivo ou negativo em relação ao primeiro indivíduo que desperta o comportamento. No sentido positivo requer a habilidade para representar no mesma sintonia em que a primeira pessoa que aflorou a sensação. No sentido negativo, ele desperta a necessidade antagônica de correspondência onde todos passam a se influenciar contra o indivíduo que produziu o fenômeno.

No segundo caso descrito imaginem um vândalo que ao passar em frente de um templo religioso começa a depredar o local e a fazer restos obscenos em direção ao local sagrado, então todos os transeuntes param de fazer suas atividades locais, para tirar num movimento coletivo, satisfação por perceber nele a imagem de um agressor, e se não for retirado da cena do “CRIME” fatalmente será encaminhado para um linchamento coletivo.

O efeito manada pode manifestar um efeito de fuga, revide, alegria, compulsão, comoção, desespero, aniquilamento, tolerância, amor, desprezo, solidariedade, fúria, consternação, aquartelamento, sexualização, criatividade, esperança, depressão, euforia, ...

Geralmente o efeito manada se manifesta muito rápido e atinge praticamente todo o coletivo antes de que uma inflexão do pensamento possa coordenar um raciocínio que inibe o efeito automático da reação grupal.

É uma espécie de delírio coletivado, onde todos passam a despertar a mesma função individual no sentido projetado pelo indivíduo precursor do fenômeno. E para desativá-lo é necessário que todos saiam do transe pelo convencimento de que a sensação de perigo ou regozijo foi afastado da consciência do indivíduo, e que portanto outras emoções foram projetadas para que se volte à realidade.

Fonte: 010 - Max Diniz Cruzeiro/NewsRondonia

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