Segunda-Feira, 29 de Janeiro de 2018 - 15:18 (Colaboradores)

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CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE NEUROCIÊNCIAS: O QUE É COCEIRA?

A dor e a coceira possuem similaridades


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O prurido, ou seja, a coceira acompanha animais e os seres humanos em suas necessidades de higienização e conservação dos corpos. Em homens é comum a identificação da coceira através do esfregão sacal percebido muitas vezes como falta de asseio, ou tentativa de excitação ganhando o repúdio social, principalmente das mulheres que se sentem enojadas ao ter os seus olhos orientados para as partes íntimas dos machos.

A dor e a coceira possuem similaridades. A coceira é uma manifestação específica da pele e nas mucosas, enquanto a dor é uma sensação de manifestação mais profunda.

Na mucosa pode provocar espirros, pequenas lesões, pigarros e tosses. Enquanto a coceira aproxima mãos e pês das partes irritadas, a dor provoca uma tentativa de afastamento de um estímulo inócuo na área afetada. A coceira aproxima o movimento que faz o indivíduo fragmentar a sensação “indigesta” por meio do atrito que incidirá sobre a pele o contraestímulo que irá provocar o alívio que retirará a pessoa do conflito de canalizar a sua atenção e foco para a área afetada. Talvez o medo que o incômodo se alastre provoca a intervenção humana sobre a região afetada na forma de uma ranhura com os dedos, por exemplo.

O comportamento que envolver a dor também é condicionado pela busca do alívio, porém se administra este alívio com um certo afastamento, isolamento e reparação da área afetada, enquanto o comportamento da coceira, aproxima o tato, pelo contato ao esfregar a área crítica que sinaliza um distúrbio sensorial.

Coçar dá prazer, a dor gera desprazer. O prazer no comportamento da dor é sentido apenas após a correção de seu efeito quando o alívio é desencadeado. Enquanto a coceira o prazer é evidente no ato de espalhar o efeito do estímulo por sobre a pele.

Coçar pode provocar abrasão (cor avermelhada), arranhões, sangramento, pequenas rupturas da pele, acentuação da irritação, sangramento e irritação. Além de fatores psicológicos, como irritabilidade, libido, frescor, relaxamento e anestesia local (alívio).

As fibras da coceira e da dor são as do tipo Aσ e C. As vias centrais são parecidas. Na coceira a bradicinina é uma substância algogênica mais potente, e a histamina tem efeito pruritogênico maior. Assim, se concluiu pela existência de pruritoceptores, no qual o prurido era provocado pela liberação de histamina.

A histamina libera os mastócitos, conforme Lent, que entram nos tecidos durante episódios de sangramento local, ou, pelo extravasamento de plasma que causa uma reação alergênica.

Os pruritoceptores usam as fibras Aσ e C e expressão receptores moleculares histaminérgicos. Existem outros mediadores para a coceira, como por exemplo, o fator de crescimento neural ou NGF, a substância P, células do sistema imunológico, ...

Assim como na dor, as fibras aferentes da coceira partem de neurônios ganglionares espinhais por processos distintos. A coceira responde a estímulos químicos e fracamente a estímulos mecânicos e térmicos. Neurônios de segunda ordem estabelecem sinapses a partir da medula, nas lâminas superficiais do corno dorsal que os axônios ascendem pelos feixes espinotalâmicos. As áreas S1, córtex da ínsula do sistema interoceptivo, o córtex cingulado anterior (aspectos afetivos e emocionais) e as regiões motoras que organizam o coçar: conforme Lent.

Fonte: 012 - Max Diniz Cruzeiro

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