Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 - 16:12 (Colaboradores)

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LIVRE

CARTAS DA JU – FUI ASSALTADA DE NOVO FUI ASSALTADA DE NOVO

Dois homens numa motocicleta te imobilizam, com arma ou não, em plena rua tranqüila da cidade, em horário ainda cedo, por volta das 7 horas da noite, levam seus pertences e deixam você numa situação inexplicável de terror e impotência.


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Querida pessoa, estou em falta com você mas tenho certeza que vai me perdoar. Não tenho tido muita vontade de escrever, nem de refletir sobre os acontecimentos recentes, especialmente sobre mais um assalto em que fui vítima, praticamente na mesma situação das duas situações anteriores. Dois homens numa motocicleta te imobilizam, com arma ou não, em plena rua tranqüila da cidade, em horário ainda cedo, por volta das 7 horas da noite, levam seus pertences e deixam você numa situação inexplicável de terror e impotência.

As dicas são: não reaja, saia de casa e não leve celular, nem documentos, nem algo de valor. Sim, então agora toda vez que sair de casa, não posso levar meus objetos pessoais, porque a qualquer momento um marginal vai levar tudo!? Tenho mesmo que viver à mercê das vontades e ações dessas pessoas sem escrúpulos nem educação?

E onde estão a liberdade do cidadão, o direito de ir e vir, o poder andar pelas ruas da cidade sem medo, com tranqüilidade?

Somos assaltados com freqüência, eu já faço parte das estatísticas de pessoas roubadas no meio da rua. O prejuízo não é “só” material, mas social, emocional e mental. A saúde como um todo fica abalada. Há consequências na qualidade do sono, na vontade de se alimentar, de interagir com os outros. Há um desânimo geral desencadeado por aquele momento de fragilidade e medo, que pode levar até mesmo à depressão.

Sim, me agarro à minha fé, minha inteligência e capacidade de superação, conto com a ajuda de amigos, familiares, colegas e sugestões de especialistas, mas isso não resolve a situação por completo nem de imediato.

Também tenho uma imensa relutância quando penso no período pós assalto: registrar boletim de ocorrência na delegacia, tarefa nada agradável, bloquear celular, fazer novas cópias de chaves, fazer segunda via de documentos, fazer óculos novos, no meu caso artigo de primeira necessidade, enfim, uma grande amolação, em todos os sentidos.

Já estou melhor, mas ainda sinto raiva, acho tudo uma grande agressão, uma invasão total à nossa história pessoal e, o que é pior, como profissional de mídia que sou e que observa a cada dia o número de violência só aumentar, não consigo ver respostas favoráveis ao combate a falta de segurança em nossa capital,  Porto Velho. Sofro. E lamento. Por mim, por todos que já passaram por isso e por todos os que irão passar.

Ju Lauriano 

Fonte: Ju Lauriano - NewsRondônia

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