Quarta-Feira, 30 de Maio de 2018 - 11:04 (Colaboradores)

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BRASIL, O PAÍS DOS 'ZERÓIS' - POR PROFESSOR NAZARENO*

Com Joaquim Barbosa fora de cena, os olhares incautos e despolitizados se dirigiram imediatamente para outro juiz: Sérgio Moro com a sua Operação Lava Jato passa a ser o mais novo dos 'zeróis' nacionais.


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A greve do setor de transportes mostrou ao mundo a verdadeira vocação do Brasil e dos brasileiros: somos um país em eterna busca de um herói e salvador da pátria. Enquanto ele não chega, a procura continua. Os caminhoneiros e não outras infinitas profissões também importantes são agora o mais novo herói do povo brasileiro. Estudar para quê? Seja caminhoneiro e ganhe a admiração e o encanto do todos. Antes disso, e num curto espaço de tempo, já tivemos vários outros “zeróis”. Tancredo Neves em 1985 “derrubou” a Ditadura Militar e caiu nas graças dos brasileiros sedentos por democracia. Logo após, Fenando Collor arrebatava multidões com o seu discurso fascista contra os marajás do serviço público. Não deu outra: ajudado pela Globo, bateu Lula e se elegeu o primeiro presidente do país após longos 21 anos de arbítrio e trevas.

FHC, o criador do Plano Real, ganhou as apostas e se tornou presidente do país por dois mandatos. Foi um dos “zeróis” nacionais por quase uma década. Pertencente ao PSDB, Fernando Henrique inaugura o Neoliberalismo tosco e desmancha o Estado doando praticamente todo o patrimônio estatal a seus amigos e correligionários. Empresas gigantescas como a Vale do Rio Doce, as telecomunicações, bancos estaduais, estradas, portos e aeroportos foram privatizados. Por isso, deixou de ser o adulado do povão e logo caiu em desgraça.

O novo mimo do Brasil é agora um ex-metalúrgico. Primeiro esquerdista a governar o país, ele faz um dos piores governos da nossa História. Estoura o escândalo do Mensalão em 2005 e mesmo reeleito, o governo petista se envolve no Petrolão e ainda assim consegue eleger e reeleger Dilma Rousseff, a primeira mulher a assumir a Presidência do Brasil.

O julgamento do Mensalão, no entanto, cria outro notável das massas: o ministro Joaquim Barbosa passa agora a ser o queridinho da população. Negro, de origem humilde e muito duro em suas decisões, o ministro do STF sai de cena quando acaba o julgamento daquele escândalo nacional. O povo o aplaudia nas ruas e o cobria de elogios e adulações.Tem que ser candidato à Presidência da República”, diziam os mais tolos e desinformados. Esse homem é um Deus, falavam.

Com Joaquim Barbosa fora de cena, os olhares incautos e despolitizados se dirigiram imediatamente para outro juiz: Sérgio Moro com a sua Operação Lava Jato passa a ser o mais novo dos “zeróis” nacionais. Ninguém levou em consideração o fato de que tal operação pode ser uma farsa da elite nacional para enganar os trouxas, uma vez que inicialmente só prendeu petistas. Apesar de ser o mais novo Javé do Brasil, Sérgio Moro, após ser flagrado em fotos “alegres” com o senador mineiro Aécio Neves, foi acusado de não prender nem investigar partidários do PSDB, os tucanos. Aos poucos o juiz está perdendo o brilho inicial, já que apareceram agora os caminhoneiros.

Até em Rondônia tivemos os nossos “zeróis”: um gaúcho, Jorge Teixeira, é considerado o Deus do Estado. Já Chiquilito Erse, mesmo sem ter feito grandes obras, é em Porto Velho o guru mais amado. Triste país que precisa ter os seus “zeróis”. Quem será o próximo?

*É Professor em Porto Velho (nunca foi herói de nada).

Fonte: Professor Nazareno / NewsRondônia

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